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03.02.2010 | 
Esgotos do Centro Histórico já não correm para o rio

Com as obras das ruas do centro histórico quase concluídas, os esgotos já estão ligados à ETAR da Zona Industrial, em vez de correrem, como até aqui e durante dezenas de anos, para o Rio Nabão.



O presidente do Município de Tomar, Fernando Corvêlo de Sousa, considera que concretizar a retirada dos esgotos domésticos do centro histórico do rio Nabão “é um marco na vida de Tomar.” A grande intervenção, que vai culminar com a obra na Praceta Alves Redol, permite alcançar um objectivo traçado por este executivo: “Tomar, um concelho que respeita o Ambiente.”
As obras no centro histórico, co-financiadas, tiveram início há mais de dez anos e representam já um investimento de cerca de dois milhões de euros. A primeira rua a ser intervencionada foi a Corredoura e depois a Praça da República, seguindo-se para a parte norte (Rua Silva Magalhães) e entrando agora na recta final da obra, na zona mais a sul (Rua dos Moinhos). Esta segunda fase da intervenção está a chegar ao fim, ficando por terminar apenas as ligações entre a Rua dos Moinhos e algumas transversais e, numa terceira fase, as ruas acima da Infantaria 15. Por concluir fica ainda a zona do Pelourinho, que está a ser objecto de um projecto específico desenvolvido pelo DOM – Departamento de Obras Municipais da autarquia.
O vereador Carlos Carrão, responsável pelo DOM, designa esta obra como “gigantesca” considerando-a “uma verdadeira regeneração da zona mais antiga da cidade” e diz que, para além do propósito ambiental, “houve a preocupação de criar as melhores condições de acesso nesta zona nobre da cidade, quer para os residentes, quer para os milhares de pessoas que nos visitam“ tendo como objectivo, a médio prazo, “tornar o núcleo histórico mais e melhor vivido.”

Duas vertentes da intervenção

Esta obra foi feita com dois objectivos. O primeiro, separar os esgotos domésticos das águas pluviais, encaminhando estas últimas para o rio, à saída da cidade, e os esgotos para a ETAR da Zona Industrial, retirando-os do rio Nabão. Recorde-se que o encaminhamento das águas pluviais para o rio, à saída de Tomar, tem o propósito de reduzir o caudal do rio, sobretudo na zona da Levada, de forma a minimizar os riscos de cheia.
O segundo pretende melhorar as condições de acesso no centro histórico, tornando-o mais harmonioso e acolhedor para todos: residentes, turistas ou visitantes, com ou sem mobilidade condicionada.
Assim, procurou-se eliminar a lógica vigente de estacionamento desordenado, permitindo também uma melhor circulação das viaturas de emergência em qualquer eventualidade. Pretendeu-se também salvaguardar que alguns troços pudessem ser utilizados comercialmente, melhorando a vivência, através da colocação de esplanadas. Por outro lado, para Carlos Carrão, “a intenção é a de que, gradualmente, se verifique menor circulação automóvel em contraponto à maior utilização pedonal destas ruas históricas pelas pessoas.”
Estas infra-estruturas, concretamente o aspecto exterior da obra, são, para Carlos Carrão, “o início de um processo que tem de implicar o Município, mas também residentes, comerciantes e todos os tomarenses.” “Dar uma nova vida ao centro histórico não se consegue apenas com infra-estruturas. Depende de todos nós.”

Câmara lamenta inevitáveis incómodos

“Não podemos deixar de agradecer a forma como os tomarenses souberam conviver com os incómodos resultantes das obras, em especial no casos que foram mais demorados do que era a nossa expectativa. Assim aconteceu porque houve necessidade de articular as intervenções do Município e de entidades externas, procurando sempre as melhores soluções,” diz o vereador.
Carlos Carrão recorda as condutas muito antigas que se encontravam no subsolo e as ligações aos prédios também antigos. Infra-estruturas cujas ligações se desconheciam na totalidade e que foram um dos factores que originaram a demora da obra, pela complexidade que trouxe ao dia-a-dia da intervenção.
Por outro lado, a Câmara procurou ir de encontro às sensibilidades dos moradores, concretamente nesta última fase, na qual o projecto foi sujeito a alterações com vista à melhor solução para a superfície das ruas. Uma solução que teve a preocupação de se adaptar à mobilidade de todos os cidadãos.


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