CRONOLOGIA
Séc. XVI, inícios - No reinado de D. Manuel são construídas "as Casas da Câmara e da Audiência, das Sisas e dos Contos", os actuais Paços do Concelho; na descrição feita no séc. XVII (ROSA, 1982) o edifício apresentava a mesma estrutura de alçados: 3 blocos, correspondentes às 3 casas, em 3 pisos; 1740 - nesta data a divisão funcional das casas divergia: são referidas a Casa da Audiência, a Casa do Senado com o Cartório, a Casa do Açougue; nas obras realizadas uniformiza-se o alçado principal e o acesso às várias casas, rasgam-se as janelas do 3º registo, constroem-se águas-furtadas; 1955 - proposta de alteração da estrutura do telhado de 4 para 12 águas, segundo a primitiva traça, da escadaria e das janelas do r/c. não chega a realizar-se; 1958 - até esta data funcionaram no edifício o Tribunal Judicial e a cadeia; 1971
TIPOLOGIA
Arquitectura civil pública, manuelina, maneirista. Edifício de planta rectangular, 3 corpos em 3 pisos, inicialmente com funções distintas ligadas ao funcionamento dos serviços municipais.
DESCRIÇÃO
Edifício de planta rectangular; sendo desconhecido o seu autor (arquitecto e construtor) de volume simples com cobertura em telhado de 4 águas. 3 pisos delimitados por molduras no alçado Este e Oeste, 3 panos separados por pilastras; o pano central, de maiores dimensões é rasgado por 3 grandes arcadas, no 1º e 2º pisos da fachada principal, por 7 arcos a meio ponto em cada um dos 3 registos da fachada contrária; no último andar da fachada principal rasgam-se janelas de sacada, rematadas por frontão liso saliente, nos 3 corpos da fachada principal, janelas de peitoril nos alçados laterais. As 3 grandes arcadas da fachada principal dão acesso a um átrio, coberto por abóbada de cruzaria de ogivas, alternando com abóbadas a berço, de onde sai a escadaria, que depois de um primeiro patamar se subdivide em 2 lanços divergentes, conduzindo ao andar nobre. Neste destaca-se o grande salão nobre com tecto em masseira, abrindo-se por janelas de sacada para a praça.
No ano de 1997 iniciaram-se obras profundas de reconstrução e adaptação deste edifício do sec. XVI para a instalação de alguns dos Serviços do Município de Tomar.
A reabilitação incidiu sobre as seguintes Zonas de Intervenção:
Cobertura
Divisórias e paredes-mestras
Caixotões em madeira (Sala Sessões)
Abóbadas e Colunas
Pavimentos e escadas
Serralharia e carpintaria
Arranjos exteriores
Destacam-se a reconstrução dos respectivos telhados e tectos à antiga portuguesa, a recuperação das abóbadas em tijolo maciço, a substituição de colunas deterioradas em pedra de características idênticas às originais.
A obra esteve a cargo da entidade construtora LENA CONSTRUÇÕES, pelo valor total de adjudicação de 1.048.357 €
BIBLIOGRAFIA
SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Santarém, Lisboa, 1949; ROSA, Amorim, História de Tomar, vol. 2, Santarém, 1982.
http://www.monumentos.pt/Monumentos/forms/002_B1.aspx
www.lenaconstrucoes.pt/tomar.asp