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16.01.2008 | Cultura
Espaços
Em pleno Centro Histórico de Tomar, o sítio do Núcleo de Arte Contemporânea foi quintal da residência de um D. Prior do Convento de Cristo, que a ele acedia por um passadiço lançado sobre a Rua de Gil de Avô. Rezam testemunhos documentais, que, essa morada, de feição renascentista, fora a casa de João de Castilho – arquitecto principal do Convento de Cristo – posta à venda pela viúva, por a tristeza, nela, a não deixar viver.
O edifício, hoje existente, foi construído para habitação no princípio do século XX, em linguagem que o aproxima da casa Núcleo de Arte Contemporânea - Rua de Gil de Avôportuguesa à Raul Lino. As duas residências, uma por cada piso, foram completa- mente remodeladas, com o sótão, em projecto oferecido pelo arquitecto Jorge Mascarenhas. Um curioso artifício – criado por Miguel Ângelo para a Biblioteca Laurentina (Florença, Itália) – incentiva a subida ao segundo andar, através das escadas que, vistas de cima, estranhamente se alongam.
A área expositiva, com cerca de 500 m2, aproveita parte dessa peculiar comunicação vertical, que também alberga o espaço de acolhimento e articula os actuais três pisos, igualmente servidos por elevador, e quase completamente ocupados com a colecção que se anuncia no exterior, em obras de grande dimensão. A concepção dessas obras – Árvore Azul de José de Guimarães e Modulação Luminosa X de Eduardo Nery – foi oferecida pelos artistas, que propositadamente as criaram para o Museu.

Paços do Concelho

O Núcleo de Arte Contemporânea possui galeria de exposições temporárias de curta duração, para programação própria e exclusiva. É a Galeria dos Paços do Concelho, que, na Praça da República, ocupa parte do rés-do-chão do mais nobre e central edifício civil de Tomar: os Paços do Concelho, sede recentemente recuperada da sua Câmara Municipal.
Acede-se-lhe por discreta porta protegida por um dos grossos pilares da entrada em galilé. Passada a antecâmara, acha-se o visitante num templo profano, a meio da primeira de duas naves de sete tramos, separados, umas e outros, por arcos torais, engendrados em abóbadas de berço, que se intersectam noutras, em barrete de clérigo. As abóbadas coroam cubos de ar, à maneira do Renascimento, e é pelo acerto rítmico delas, acentuado pelos enxalços dos vãos, que obras e expositores se distribuem.

Galeria dos Paços do Concelho - Interior 1Na metade Sul, uma velha pia de pedra que repousa sobre uma base de coluna e reduzido troço de fuste, anuncia o poço e a bomba que testemunham outras exigências e tecnologias. E na parede do topo, um pequeno friso de pedra quase denuncia a antiga cadeia. São ainda vestígios das casas reais que D. Manuel I mandou edificar sobre as sete boticas (lojas) do Infante D. Henrique, e cuja traça actual, com indesmentível influência filipina, se deve à remodelação que no século XVIII foi promovida pela Câmara Municipal, com a devida autorização de Sua Majestade, El-Rei D. João V.

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